ALEXIA CAMARGOS - 29 de janeiro dia da visibilidade Trans

Me chamo Alexia, tenho 27 anos e sou uma mulher trans.


Hoje, 29 de janeiro, dia da visibilidade TRANS venho contar um pouco da minha história para vocês.



Foto: Mariana Martins

Me descobri trans aos 17 anos, mas desde que me entendo por gente nunca me reconheci naquele corpo que nasci. Me perguntava o que havia de errado, travei uma batalha comigo mesma e me culpava por não ser como os meus pais e meus irmãos esperavam.





Sofri muito até entender realmente quem eu era! Até que um dia num curso da área da beleza conheci a Cecília, uma trans que fazia curso no mesmo lugar que eu. Enxerguei nela tudo que eu queria ser e enxerguei principalmente que não havia nada de errado comigo. Ela era uma mulher como outra qualquer e respeitada como tal.


A partir daí tive a coragem de assumir e finalmente dar vida a mulher que eu sempre sonhei ser. Graças a Deus e aos meus Orixás, sempre tive o apoio da minha família e isso fez toda diferença pra me tornar a mulher que sou hoje.



Alexia e família

No início foi difícil e ainda é bastante difícil, tanto pra mim quanto pra eles por saberem tudo que eu enfrento e vou enfrentar a cada vez que coloco minha cara a tapa na rua. Todas as piadas, todos os olhares de repulsa e o risco de ser agredida a qualquer momento e de não voltar pra casa pelo simples fato de não ser o que a sociedade denomina "correto". Já sofri vários casos de transfobia, mas o que mais me marcou e traumatizou foi quando fui entrar no banheiro de um shopping e fui abordada por uma desconhecida falando que eu não poderia usar aquele banheiro porque eu era um homem. Isso doeu na minha alma e dói a cada vez que tenho que usar o banheiro em locais públicos, cada olhar eu imagino que aquela cena vai se repetir e vocês não tem noção o quanto isso me assombra.


Mas tudo isso me faz cada dia mais forte e cada dia mais dona de mim. Cada dia me amando mais, e isso é o que me faz ter forças pra seguir. Minha motivação é justamente ser completamente "fora do padrão" e a sociedade ter que me respeitar.


Mulher, trans, negra, empresária, modelo, bem sucedida, com uma família que me ama, me apoia e um amor próprio INABALÁVEL!!



Foto: Cecilia Neves

Sei o quanto é difícil passar determinadas situações sozinhx. Sei também do meu privilégio de ter uma família que me aceita e me acolhe, mas se você está passando pela fase da descoberta, tendo dificuldade procure ajuda. Há grupos que nos apoiam e pessoas que estão ai por nós.


Nunca aceite ser menosprezadx ou diminuídx pela sua sexualidade seja ela qual for. Não se vitimize! Não abaixe a cabeça, não se renda ou se deixe desanimar. Use isso como um trampolim pro seu sucesso e tenha amor próprio. Não se esconda, não se envergonhe, não aceite um relacionamento escondido. Busque o seu lugar!


Lembrem-se a maior e mais importante aceitação vem de nós mesmxs, e quando nos olhamos no espelho nos amamos e nos aceitamos as coisas ficam muito mais fáceis e os preconceitos que vivemos não passam de pedregulhos na passarela da vida onde desfilamos com tanta beleza e perfeição!!!



Foto: Mariana Martins

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